التوحيد

'Aqīda · o que se professa

Teologia

A unicidade de Allah, os atributos divinos, a profecia, a relação entre o decreto de Deus e a responsabilidade humana, e o que a revelação diz sobre o que vem depois da morte.

O centro

Tawḥīd · a unicidade

O tawḥīd é a noção mais fundamental do Islã. Não se reduz a contar divindades — afirmar que há uma, e não muitas. Afirma a singularidade, a transcendência e a soberania de Allah, sem termo de comparação.

Alcorão · tradução aproximada do sentido
“Dize: Ele é Allah, Único. Allah, o Absoluto. Não gerou nem foi gerado, e não há ninguém semelhante a Ele.”
Alcorão 112 (Al-Ikhlāṣ) ↗

A tradição costuma distinguir três dimensões:

Rubūbiyya

Unicidade da senhoria

Allah é o único Criador, Sustentador e Governante. Nada ocorre fora de Sua vontade.

Ulūhiyya

Unicidade da adoração

Só Allah é digno de adoração. Dirigi-la a outra coisa — imagem, pessoa ou desejo — é shirk.

Asmā' wa Ṣifāt

Unicidade dos nomes e atributos

Os nomes e atributos revelados pertencem a Allah e não são atribuídos às criaturas, nem negados, nem lidos de modo antropomórfico.

Sobre os Nomes, o projeto mantém uma página própria: os Belos Nomes de Allah.

Uma questão antiga

Como entender os atributos divinos

O Alcorão menciona atributos como a mão, a face e o trono de Allah. Como compreendê-los sem cair no antropomorfismo nem esvaziar o texto? A tradição registra posições distintas:

Tafwīḍ

Afirmar sem definir o modo

Afirmam-se os atributos como vieram, sem especificar o “como” (bilā kayf). É a posição mais difundida entre os sunitas.

Ta'wīl

Leitura figurada

Interpretam-se metaforicamente — “mão” lida como poder. Posição de teólogos de orientação racionalista.

Tashbīh

Leitura literal

Aproxima os atributos divinos dos humanos. Rejeitada pela maioria dos teólogos.

Ta'ṭīl

Negação dos atributos

Nega-os para preservar a transcendência. Igualmente rejeitada, por esvaziar o texto revelado.

Nubuwwa

A profecia

Allah enviou profetas (nabī) e mensageiros (rasūl) a todas as nações. São seres humanos escolhidos, preservados do pecado ('iṣma), que recebem revelação e a transmitem.

Entre os nomeados no Alcorão estão Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad ﷺ — este último designado como o selo dos profetas, o último da série.

Jesus (ʿĪsā) no Islã

O Alcorão dedica a Jesus grande reverência. Ele nasce milagrosamente de Maria (Maryam), a quem uma sura inteira é dedicada, e realiza sinais com a permissão de Allah. É profeta e mensageiro, e a tradição afirma seu retorno ao fim dos tempos.

A teologia islâmica sustenta, ao mesmo tempo, que Jesus não é divino nem filho de Deus, e que não foi morto na cruz. São pontos em que o Islã se distingue explicitamente do cristianismo — e o projeto os registra como o que são: a posição da tradição islâmica sobre si mesma, sem propósito polêmico.

Alcorão · tradução aproximada do sentido
“O Messias, filho de Maria, não é senão um mensageiro; antes dele já haviam passado outros mensageiros.”
Alcorão 5:75 ↗

Qadar e responsabilidade

O decreto divino e a escolha humana

Duas afirmações atravessam o Alcorão. A primeira: nada acontece fora do conhecimento e da vontade de Allah. A segunda: o ser humano escolhe e responde pelo que escolheu.

Alcorão · tradução aproximada do sentido
“Quem pratica o bem, o faz em benefício próprio; e quem pratica o mal, o faz em prejuízo próprio.”
Alcorão 41:46 ↗

Conciliá-las é uma das grandes questões da teologia islâmica, e as escolas responderam de modos diferentes:

Ash'ariyya

Aquisição (kasb)

Allah cria o ato; o ser humano o “adquire” e por ele responde. Posição majoritária entre os sunitas.

Māturīdiyya

Próxima, com nuances

Concorda no essencial, com formulação distinta sobre a capacidade humana de agir.

Jabriyya

Determinismo

Nega ao ser humano escolha real. Posição minoritária, rejeitada pelo consenso posterior.

Qadariyya

Livre-arbítrio pleno

Sustenta que Allah não determina os atos humanos. Também minoritária e recusada pela maioria.

Ākhira

O que vem depois

A vida presente é entendida como prova; a vida seguinte, como permanente. O percurso descrito pela revelação e pela tradição tem etapas reconhecidas:

Barzakh

O intervalo

Entre a morte e a ressurreição, a alma permanece num estado intermediário.

Sinais

O fim dos tempos

A tradição enumera sinais anunciadores, entre eles o surgimento do Mahdī, o retorno de Jesus e o aparecimento do Dajjāl.

Ba'th

A ressurreição

Ao som da trombeta, todos são ressuscitados.

Ḥisāb

O ajuste de contas

Os atos são pesados na balança (mīzān) e o registro de cada um lhe é entregue.

Janna

O Jardim

Descrito como jardins sob os quais correm rios — e, acima de tudo, como proximidade de Allah.

Jahannam

O Fogo

Punição descrita como proporcional às faltas.