أركان الإسلام

Arkān al-Islām · a estrutura

Pilares e artigos de fé

Cinco práticas sustentam a vida do muçulmano; seis convicções sustentam sua fé. Uma coisa é o que se faz, outra é o que se crê — e a tradição as distingue com cuidado.

Islām e Īmān

Duas listas, dois registros

Os Cinco Pilares (arkān al-islām) descrevem o que o muçulmano pratica. Os Seis Artigos de Fé (arkān al-īmān) descrevem aquilo em que crê. A distinção é clássica e vem de um hadith bem conhecido, no qual o anjo Gabriel pergunta ao Profeta ﷺ, separadamente, o que é o islām, o que é o īmān e o que é o iḥsān.

Hadith · Sahih Muslim 8 (hadith de Gabriel)
O relato distingue a submissão praticada, a fé professada e a excelência — “adorar Allah como se O visses; pois, ainda que não O vejas, Ele te vê”.
Síntese editorial do conteúdo do relato, não citação literal

Primeiro pilar

Shahāda · o testemunho

A profissão de fé: “Ash-hadu an lā ilāha illā Allāh, wa ash-hadu anna Muḥammadan rasūl Allāh” — testemunho que não há divindade senão Allah, e testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Allah.

A primeira parte afirma o monoteísmo absoluto e recusa o shirk, a associação de parceiros a Deus. A segunda reconhece Muhammad ﷺ como profeta final e implica o compromisso de seguir sua Sunnah.

Recitada com sinceridade, a Shahāda basta para tornar-se muçulmano. É sussurrada ao ouvido do recém-nascido, recitada por quem se aproxima da morte e proclamada cinco vezes ao dia no chamado à oração.

Segundo pilar

Ṣalāt · a oração

Cinco orações diárias, em horários determinados pelo movimento do sol:

Fajr

Antes do amanhecer

A primeira oração, quando a luz ainda não despontou.

Ẓuhr

Depois do meio-dia

Interrompe o centro do dia de trabalho.

'Aṣr

Meio da tarde

Marca o declínio da luz.

Maghrib

Ao pôr do sol

Logo após o desaparecimento do disco solar.

'Ishā'

Noite

Encerra o ciclo diário.

Antes de orar, faz-se o wuḍū', a ablução que lava mãos, boca, nariz, rosto, braços, cabeça, orelhas e pés. A oração é feita em direção a Meca — a qibla — sobre espaço limpo.

Cada oração se compõe de ciclos (rak'ah) com posturas próprias: qiyām, em pé, quando se recita a Fātiḥa e outra passagem; rukū', a inclinação com as mãos nos joelhos; sujūd, a prostração em que testa, nariz, mãos, joelhos e pés tocam o chão; e o julūs, sentado, entre as prostrações.

Terceiro pilar

Zakāt · a purificação dos bens

Contribuição anual obrigatória de 2,5% sobre a riqueza acumulada acima de um mínimo (niṣāb). Não se confunde com a ṣadaqa, a caridade voluntária: o zakāt é dever, não gesto opcional.

O Alcorão especifica oito destinatários: os pobres, os necessitados, os que administram sua coleta, aqueles cujos corações se deve reconciliar, a libertação de cativos, os endividados, a causa de Allah e o viajante em dificuldade.

Alcorão · tradução aproximada do sentido
“As esmolas são apenas para os pobres, os necessitados, os que trabalham na sua coleta…”
Alcorão 9:60 ↗

O sentido do zakāt é purificar a riqueza, redistribuir recursos e reconhecer que os bens são confiança recebida, não posse absoluta.

Quarto pilar

Ṣawm · o jejum do Ramadã

Durante o Ramadã, nono mês do calendário lunar, o muçulmano adulto e saudável se abstém de comida, bebida, fumo e relações conjugais desde o amanhecer até o pôr do sol.

Há dispensas reconhecidas: crianças, idosos, doentes, viajantes, gestantes, lactantes e mulheres em período menstrual. Conforme o caso, compensa-se depois ou alimenta-se quem precisa.

O dia é marcado pelo suḥūr, a refeição anterior ao amanhecer, e pelo ifṭār, que rompe o jejum ao anoitecer — tradicionalmente com tâmaras e água. À noite acrescentam-se as orações tarāwīḥ. Entre as dez últimas noites está a Laylat al-Qadr, a Noite do Decreto, em que se iniciou a revelação do Alcorão.

Alcorão · tradução aproximada do sentido
“A Noite do Decreto é melhor que mil meses.”
Alcorão 97:3 ↗

Quinto pilar

Ḥajj · a peregrinação

Ao menos uma vez na vida, quem tiver condições físicas e financeiras deve peregrinar a Meca, no mês de Dhū al-Ḥijja.

Iḥrām

O estado de consagração

Os homens vestem dois panos brancos sem costura; as mulheres, traje modesto. Suspendem-se perfume, corte de cabelo e unhas, relações conjugais e qualquer violência.

Ṭawāf

Sete voltas à Ka'bah

A circum-ambulação em torno da Casa Sagrada.

Sa'y

Entre Ṣafā e Marwa

Sete percursos entre as duas colinas, refazendo a busca de Hagar por água para Ismael.

'Arafat

A permanência

No nono dia, do meio-dia ao pôr do sol, em oração na planície de Arafat. É o ápice do Ḥajj: quem o perde, perde a peregrinação.

Muzdalifa

A noite ao relento

Pernoite sob o céu e recolhimento das pedras.

Ramy

O apedrejamento

Lançamento de pedras contra as três colunas, gesto de recusa da tentação.

'Īd al-Aḍḥā

O sacrifício

Rememora a disposição de Abraão. A carne é distribuída, em boa parte, a quem precisa.

O Ḥajj torna visível a unidade da umma: pessoas de toda origem, língua e condição vestem-se do mesmo modo e cumprem os mesmos ritos, afirmando a igualdade diante de Allah. A tradição o descreve como antecipação do Dia do Juízo, quando todos estarão diante de Deus.

Os Seis Artigos de Fé

01

Allah

Crença em Sua existência e em Sua unicidade — o tawḥīd.

02

Os anjos

Seres criados de luz, que cumprem o que lhes é ordenado.

03

Os Livros revelados

Os pergaminhos de Abraão, a Torá de Moisés, os Salmos de Davi, o Evangelho de Jesus e, por fim, o Alcorão.

04

Os profetas e mensageiros

De Adão a Muhammad ﷺ, enviados a todas as nações.

05

O Dia do Juízo

A ressurreição e o julgamento de cada um por seus atos.

06

O decreto divino (qadar)

Nada escapa ao conhecimento e à vontade de Allah — e, ainda assim, o ser humano responde por suas escolhas. Sobre como as duas afirmações se conciliam, ver Teologia.